2010-06-01

Quelimane, Maio de 2010


De Quelimane, cidade, as notícias que nos chegam por diversos meios não são as melhores. Parece, até, que pioram uma após a outra. Causam-nos amargura, dor e tristeza. E nem intentamos imaginar a rudeza do quotidiano da pessoas do velho Chuabo. As fotografias são suficientemente expressivas.

Como a que seleccionei para ilustrar este “post” – uma fotografia que colhi no álbum Quelimane (cerca de 30 fotografias) de Maria João Oliveira Julião, que, na semana passada, percorreu a Marginal (é verdade, é a Marginal) ao longo do Rio dos Bons Sinais…

Quelimane, uma cidade empobrecida e votada ao abandono.

2010-02-26

A chuva. Torrencial, também em Quelimane (Moçambique)


O Inverno tem sido trágico. Aqui em Portugal e um pouco por todo o mundo. O frio, o vento e a chuva (e também a neve, em alguns locais) persistem. Espalhando a dor e a desolação.

Há pouco, pelos noticiários televisivos de Portugal e de Espanha, soube que as previsões meteorológicas apontam para (durante a próxima noite) o agravamento do estado do tempo nas Canárias e na Galiza, com ventos ciclónicos e chuvas intensas. Chuvas e ventos que também assolarão a Madeira e a costa continental.

Anuncia-se a subida do nível da água nos rios - particularmente do Tambre e do Guadalquivir (em Espanha) e do Douro e do Tejo (em Portugal) - que em alguns pontos já transpuseram as margens e determinaram deslocação de pessoas para lugares seguros disponibilizados pela protecção civil.

Eu, nós, estamos informados e sabemos que dispomos de recursos sociais de protecção das populações e de auxílio às pessoas mais afectadas. O que não sucederá noutras regiões do mundo, onde, não sendo inverno, também chove calamitosamente e onde as populações apenas resistem às intempéries. Como sucedem em Quelimane, na Zambézia - pelas notícias (que me doem) que me chegaram através do Diário de um Sociólogo (Carlos Serra, Maputo) –, uma cidade que as vicissitudes políticas castigaram com a pobreza…

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Ilustração: Fotografia recolhida em Diário de um Sociólogo.
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Nota:Post” publicado no Jornal de Saúde Ambiental

2009-12-30

Quelimane: a qualidade de vida, hoje


Quelimane, 2009: uma fotografia (que recolhemos no blogue “Realidades”) que ilustra a qualidade de vida dos cidadãos, hoje… Será que (também por cá, em Portugal) ainda há quem aplauda a acção governativa da Frelimo?

A Marginal de Quelimane, hoje


Quelimane, 2009: uma fotografia da Marginal (que recolhemos no blogue “Realidades”) que evidencia o progresso da capital da Zambézia depois de mais de três décadas de gestão frelimista…

2009-12-23

Viva o Natal


Será que nós podíamos viver sem o Natal?
- Sim, podíamos, mas não seria a mesma coisa!...

Viva, vivam o Natal!

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Ilustração: Imagem recolhida em Candy Candy … Un Nuevo Amañecer

2009-09-28

Jacarandás, em Maputo


Da Ana de Amsterdam, Junho - uma fotografia que vale pena olhar com olhos de ver. Ou ver, com olhos de olhar.

Ou talvez só distraidamente.

2009-09-27

Pelo Rio dos Bons Sinais, hoje


Na sequência da fotografia anterior, uma outra – actual - publicada por Sorriso e Verdades no Blogue “Realidades", de Evans Bacar, sob o título de “O outro transporte mascote de Quelimane, um meio de transporte quase que tradicional no Rio dos Bons Sinais em Quelimane”. Para confrontarmos tempos diferentes, outras realidades…

De jangada…


… Num tempo (fotografia não datada) em que a jangada era o meio de transporte, de uma para a outra margem e para o machimbombo cumprir o percurso.

Pela Zambézia, eu fiz algumas viagens no tradicional machimbombo, viagens de duas-três centenas de quilómetros que por vezes rememoro para me deter num ou noutro episódio: quando, por exemplo, o machimbombo parou para permitir que uns quantos macacos atravessassem a estrada poirenta, quando, numa subida mais íngreme, todos nós os passageiros descemos para o empurrarmos, quando…

Jangada não, não cheguei a experimentar…

2009-09-25

Karingana ua Karingana


Com tempo (ou com mais disponibilidade), eu publicarei o poema que seleccionei para apresentar este livro de José Craveirinha - talvez o primeiro que se publicou em Moçambique após a revolução (?) em Portugal que conduziria ao controverso processo de independência das províncias ultramarinas (ou, noutra perspectiva, das colónias portuguesas), nomeadamente de Moçambique – para tantos de nós a pátria (e)terna. Por agora, apenas transcrevo (do Livro IV – Tingolé) um conjunto de versos que enunciam a moçambicanidade de um homem que mais tarde diria, com a alma ferida, - evocando (Fernando) Pessoa, na esteira de (Luís de) Camões - que “a minha pátria é a língua”.

Ao meu belo pai ex-emigrante

(…)

Oh, Pai:

Juro que em mim ficaram laivos
do luso-arábico Aljezur da tua infância
mas amar por amor só amo
e somente posso e devo amar
esta minha bela e única nação do mundo
onde minha mãe nasceu e me gerou
e contigo comungou a terra, meu Pai.
E onde ibéricas heranças de fados e broas
se africanizaram para a eternidade nas minhas veias
e teu sangue se moçambicanizou nos torrões
da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital
colono tão pobre como desembarcaste em África
meu belo Pai ex-português.

(…)

O livro (que me custou 110$00 – cento e dez escudos, na moeda de então) foi publicado em Lourenço Marques, em Maio de 1974, pela Edição Académica, Lda.. As ilustrações – capa e vinheta – são de José Craveirinha, filho. E nas badanas, os comentários são de Cansado Gonçalves (datado de1963), Rui Baltazar (idem), Eugénio Lisboa (1962) e de Tristan Tzara (1964).

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NC: Como o próprio José Craveirinha anota (nas páginas finais do livro) no “Glossário XI – Ronga – PortuguêsKaringana-Ua-Karingana! é uma “fórmula clássica de iniciar um conto e que possui o mesmo significado de o “Era uma vez”.

2009-09-20

"Os Milagres", de Jorge Viegas


Jorge Viegas, poeta, nasceu em Quelimane. “A 6 de Novembro de 1947”, como assinala na segunda página do livro “Os Milagres – Poemas”, de 1966, editado pela Sociedade Gráfica Transmontana, Lda. (de Quekimane). Um primeiro livro que Jorge Viegas dedica “À minha Mãe“ e “À Conceição”.

Deste seu livro - que agora reencontrámos - seleccionámos dois poemas, o primeiro e o último do “Terceiro Caderno”. Poemas que nos dispensamos de comentar.

O primeiro, “Inscrição”, dedica-o o autor “À memória de Reinaldo Ferreira” - um dos poetas maiores de Moçambique e da língua portuguesa. O outro, “Poema final”, expressa corajosamente uma vontade juvenil que a história transfiguraria.


Inscrição

É-nos vedado o poema natural
Como o vento e a água,
O canto livre de deuses e bandeiras.
Os nossos sonhos são maneiras
De esculpir a mágoa,
E cristalizar-lhe o sal.


Poema Final

Não me façam a alma nem sargaço nem estrela,
Mas se a minha alma não for bela
Tomai-a vós,
Atai-a com cinco nós
E não permiti que ela cante.
Sòmente,
Deixai que a água da chuva caia sobre nós.
Pois que se bebermos dela
É como se fôssemos puros,
É como se fôssemos eleitos

Outros tempos…


Quelimane, noutra fotografia sem data. Uma perspectiva do jardim municipal e dos edifícios das Fazendas e da Escola (Primária) Vasco da Gama. Outros tempos… Talvez a preto e branco mas de esperança...

... Esperança que a história frustraria, como sabemos.

O que é que o rio tem?


Quelimane. Uma fotografia (sem data) de um instante na Marginal. Uma das fotografias que a Maria (é assim que se tem identificado nos “Comentários”) nos facultou e que começamos hoje a divulgar. Para os mais atentos, uma fotografia curiosa, mesmo muito curiosa, susceptível de proporcionar os mais diversos comentários. Um, líquido, à guisa de pergunta: - O que é que o rio tem?...

"O Amor Diurno"


Em teu sereno rosto
se ergueu o vento
querida
uma leve crispação
corre a sua linha de água
em tuas feições ondulando
querida

Teus olhos se fecharam
querida
lagos sobmersos
pejados de trevas e desejos
de prazer e dor
ó doce querida

Mar nocturno e agitado
e sua audível presença
querida
um grito surdo
túmido e lento agoniza
em tua garganta opressa
ó doce querida

Tuas mãos esguias
minha querida
asas transparentes e brancas
de aves aquáticas
um vento de loucura
as possui e agita
desnorteados barcos
navegando às cegas no meu corpo
minha querida

Em teu sereno rosto
agora apaziguado
o vento torna a ser brisa
querida
com a quietude das manhãs de verão
e a fadiga
já sobre a areia
depois do naufrágio
ó doce muito doce querida



O poema que transcrevemos é o poema 10 de “O Amor Diurno”, de Fernando Couto. Sobre o qual Eugénio Lisboa escreveu, na badana de “Feições para um retrato(*) que “é um livro de franca exaltação amorosa, melhor: de exaltação da beleza e do prazer. É um livro de um esteta, de um amante inequívoco da beleza do corpo, das imagens, do gozo sensual…”.

O livro - uma “(…) edição fora do mercado, (…) composta por 150 exemplares, todos numerados e assinados pelo autor” –, com capa e ilustrações por José Pádua, foi “Composto e impresso nas oficinas do “Notícias da Beira”, em "Outubro de 1962".

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(*) Colecção “Vozes de Moçambique” – Nº. 1, edição do ATCM, Beira, 1970/71.

2009-08-20

Ndjira


Vivências Moçambicanas”, é o título de um livro de Fernando Couto, recentemente (Maio, de 2009) editado em Maputo, que recolhe - como lemos no Ma-shamba - “uma série de crónicas jornalísticas com algum “sabor” literário resultantes da sua experiência como profissional de informação entre 1953 e 2009”.

Vivências Moçambicanas” é também um pretexto para Nós, do Comando divulgarmos um blogue pelo qual saberemos notícias dos livros que se publicam em Moçambique. O blogue da Editora Ndjira.

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Ilustração: Imagem recolhida em Fauna bravia, Caça e Caçadores de Moçambique.

2009-08-17

Um casal na Avenida


De certo modo para ilustrar a nota que escrevi à guisa de comentário ao post que a Zambeziana Graça Pereira publicou sobre a Avenida Marginal, em Quelimane, e, sobretudo, para corresponder ao agradecimento da Maria – “Bem Haja, continuem a publicar” -, eis a fotografia de um casal sentado no murete da Avenida que na cidade do Chuabo margina o Rio dos Bons Sinais. Um casal que a Maria conhece: os seus pais – José e Virgínia Vaz Marques.

2009-08-07

Ficheiros Secretos da Descolonização


Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, de Leonor Figueiredo, jornalista, é um livro de leitura (quase) obrigatória. Por todos nós, aqueles que queremos saber a verdade sobre o processo de descolonização. De Angola, e de Moçambique e dos outros territórios que política e administrativamente integravam o espaço português.

Detendo-me em Moçambique, quase todos nós, os que nascemos e/ou crescemos no território que se estende desde o Rovuma até ao Maputo, à beira do Índico, afastámo-nos (in)voluntariamente para não nos submetermos à humilhação de (na melhor das hipóteses) sermos expulsos de um chão a que pertenciamos. A que pertencemos, porque a memória não se apaga e a história é irreversível.

Em relação a Angola, o Acordo de Alvor é um momento significativo, com pouca substância e menos esperança. Relativamente a Moçambique, o Acordo de Luzaka marca o início trágico da Independência. A Frelimo não era – como (quase) todos nós sabíamos – representativa da população moçambicana. E a história demonstrou-o, através de uma guerra civil que se prolongou por anos e provocou milhares de mortos e milhões de vítimas. Pessoas que perderam a vida ou se confrontaram com a vida absolutamente destroçada. No âmbito de um processo que (ainda) há quem entenda ter sido uma “Descolonização exemplar (*).

Do mesmo modo que a Leonor Figueiredo nos revela, corajosamente, os “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, é, será, importante que alguém se interesse pelos “Ficheiros Secretos da Descolonização..." de Moçambique. Para se repor a verdade.

Eu, que saudei o fim do regime presidido por Oliveira Salazar e depois por Marcelo Caetano, que sempre me manifestei favorável à independência de Moçambique e dos outros territórios ultramarinos, opus-me ao Acordo de Luzaka. Frontalmente – como está documentado – mas sem armas. Apenas com argumentos que expressei publicamente, por acreditar na Democracia. Mas tive de me afastar da Pátria que escolhera. Para não ter a mesma sorte que outros tiveram. Entre outros, lembro-me da Joana Simeão (até presencialmente, em Quelimane), uma mulher que defendia um projecto (talvez diferente do da Josina Machel, com quem que também estive em Quelimane, no pavilhão do Sporting, num encontro sobre Educação) e lutava por uma pátria livre. E que terá acabado por morrer algures no Niassa, num eufemístico “Campo de Reeducação”…

Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, é um livro para ler. E analisar.

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(*) Sugiro a consulta e a leitura atenta dos muitos “posts” publicados por José Milhazes, jornalista, em “Da Rússia” sob o título de “Contributo para História (Moçambique)”. Enquanto não são (admito que não sejam) publicados em Portugal (entre outros) os livros "Memórias do Trabalho em Moçambique", de Piotr Evsiukov, primeiro embaixador da (então) URSS em Maputo e "Os Nossos Primeiros Passos em Moçambique", de Arkadi Glukhov, encarregado de negócios da (também então) URSS na capital moçambicana.

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Ilustração: Imagem recolhida em “Da Rússia”.

2009-07-26

Num dia muito particular


Em Quelimane, noutro fim de dia também muito particular, a Maria Eugénia, o Pai e as nossas vizinhas, dias depois de eu me ter afastado de Moçambique…

Na Praia


Na Praia da Zalala, na década de 60 (1960)… A Gena (Maria Eugénia) e as primas. Da esquerda para a direita: , São, Gena e Milai.

O Adriano


Eu conheci o Adriano em Mocuba, em 1972, durante uma festa no ringue do Clube dos Ferroviários. Nessa noite, animadérrima, o Adriano foi vocalista dos “The Blue Twisters”. Eu fui falar com ele e pedi-lhe, por razões que só a gente jovem sabe, que, se soubesse(m), interpretasse(m) uma canção então muito em voga: - “Ma belle amie…”. O Adriano não sabia…

Dois anos mais tarde (em Junho de 1974), em Quelimane, entre outras cantigas, o Adriano interpretou para todos nós, ao longo de uma noite particular, uma composição original: - “Gazela…”.

Por onde andará o Adriano? ...


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Nota: Pelo final de uma tarde de 1981, numa das ruas centrais da cidade do Porto, eu reconheci a “Ma belle amie” na mulher que caminhava apressada - e tão (in)segura como a jovem empregada da livraria/papelaria de Mocuba…

2009-07-16

Grupo das Janeiras


Embora sem data, no verso desta fotografia há uma anotação: - “Para recordação do Grupo das Janeiras”.