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2009-09-25

Karingana ua Karingana


Com tempo (ou com mais disponibilidade), eu publicarei o poema que seleccionei para apresentar este livro de José Craveirinha - talvez o primeiro que se publicou em Moçambique após a revolução (?) em Portugal que conduziria ao controverso processo de independência das províncias ultramarinas (ou, noutra perspectiva, das colónias portuguesas), nomeadamente de Moçambique – para tantos de nós a pátria (e)terna. Por agora, apenas transcrevo (do Livro IV – Tingolé) um conjunto de versos que enunciam a moçambicanidade de um homem que mais tarde diria, com a alma ferida, - evocando (Fernando) Pessoa, na esteira de (Luís de) Camões - que “a minha pátria é a língua”.

Ao meu belo pai ex-emigrante

(…)

Oh, Pai:

Juro que em mim ficaram laivos
do luso-arábico Aljezur da tua infância
mas amar por amor só amo
e somente posso e devo amar
esta minha bela e única nação do mundo
onde minha mãe nasceu e me gerou
e contigo comungou a terra, meu Pai.
E onde ibéricas heranças de fados e broas
se africanizaram para a eternidade nas minhas veias
e teu sangue se moçambicanizou nos torrões
da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital
colono tão pobre como desembarcaste em África
meu belo Pai ex-português.

(…)

O livro (que me custou 110$00 – cento e dez escudos, na moeda de então) foi publicado em Lourenço Marques, em Maio de 1974, pela Edição Académica, Lda.. As ilustrações – capa e vinheta – são de José Craveirinha, filho. E nas badanas, os comentários são de Cansado Gonçalves (datado de1963), Rui Baltazar (idem), Eugénio Lisboa (1962) e de Tristan Tzara (1964).

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NC: Como o próprio José Craveirinha anota (nas páginas finais do livro) no “Glossário XI – Ronga – PortuguêsKaringana-Ua-Karingana! é uma “fórmula clássica de iniciar um conto e que possui o mesmo significado de o “Era uma vez”.

2009-09-20

"Os Milagres", de Jorge Viegas


Jorge Viegas, poeta, nasceu em Quelimane. “A 6 de Novembro de 1947”, como assinala na segunda página do livro “Os Milagres – Poemas”, de 1966, editado pela Sociedade Gráfica Transmontana, Lda. (de Quekimane). Um primeiro livro que Jorge Viegas dedica “À minha Mãe“ e “À Conceição”.

Deste seu livro - que agora reencontrámos - seleccionámos dois poemas, o primeiro e o último do “Terceiro Caderno”. Poemas que nos dispensamos de comentar.

O primeiro, “Inscrição”, dedica-o o autor “À memória de Reinaldo Ferreira” - um dos poetas maiores de Moçambique e da língua portuguesa. O outro, “Poema final”, expressa corajosamente uma vontade juvenil que a história transfiguraria.


Inscrição

É-nos vedado o poema natural
Como o vento e a água,
O canto livre de deuses e bandeiras.
Os nossos sonhos são maneiras
De esculpir a mágoa,
E cristalizar-lhe o sal.


Poema Final

Não me façam a alma nem sargaço nem estrela,
Mas se a minha alma não for bela
Tomai-a vós,
Atai-a com cinco nós
E não permiti que ela cante.
Sòmente,
Deixai que a água da chuva caia sobre nós.
Pois que se bebermos dela
É como se fôssemos puros,
É como se fôssemos eleitos

"O Amor Diurno"


Em teu sereno rosto
se ergueu o vento
querida
uma leve crispação
corre a sua linha de água
em tuas feições ondulando
querida

Teus olhos se fecharam
querida
lagos sobmersos
pejados de trevas e desejos
de prazer e dor
ó doce querida

Mar nocturno e agitado
e sua audível presença
querida
um grito surdo
túmido e lento agoniza
em tua garganta opressa
ó doce querida

Tuas mãos esguias
minha querida
asas transparentes e brancas
de aves aquáticas
um vento de loucura
as possui e agita
desnorteados barcos
navegando às cegas no meu corpo
minha querida

Em teu sereno rosto
agora apaziguado
o vento torna a ser brisa
querida
com a quietude das manhãs de verão
e a fadiga
já sobre a areia
depois do naufrágio
ó doce muito doce querida



O poema que transcrevemos é o poema 10 de “O Amor Diurno”, de Fernando Couto. Sobre o qual Eugénio Lisboa escreveu, na badana de “Feições para um retrato(*) que “é um livro de franca exaltação amorosa, melhor: de exaltação da beleza e do prazer. É um livro de um esteta, de um amante inequívoco da beleza do corpo, das imagens, do gozo sensual…”.

O livro - uma “(…) edição fora do mercado, (…) composta por 150 exemplares, todos numerados e assinados pelo autor” –, com capa e ilustrações por José Pádua, foi “Composto e impresso nas oficinas do “Notícias da Beira”, em "Outubro de 1962".

……………
(*) Colecção “Vozes de Moçambique” – Nº. 1, edição do ATCM, Beira, 1970/71.

2009-08-20

Ndjira


Vivências Moçambicanas”, é o título de um livro de Fernando Couto, recentemente (Maio, de 2009) editado em Maputo, que recolhe - como lemos no Ma-shamba - “uma série de crónicas jornalísticas com algum “sabor” literário resultantes da sua experiência como profissional de informação entre 1953 e 2009”.

Vivências Moçambicanas” é também um pretexto para Nós, do Comando divulgarmos um blogue pelo qual saberemos notícias dos livros que se publicam em Moçambique. O blogue da Editora Ndjira.

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Ilustração: Imagem recolhida em Fauna bravia, Caça e Caçadores de Moçambique.

2009-08-07

Ficheiros Secretos da Descolonização


Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, de Leonor Figueiredo, jornalista, é um livro de leitura (quase) obrigatória. Por todos nós, aqueles que queremos saber a verdade sobre o processo de descolonização. De Angola, e de Moçambique e dos outros territórios que política e administrativamente integravam o espaço português.

Detendo-me em Moçambique, quase todos nós, os que nascemos e/ou crescemos no território que se estende desde o Rovuma até ao Maputo, à beira do Índico, afastámo-nos (in)voluntariamente para não nos submetermos à humilhação de (na melhor das hipóteses) sermos expulsos de um chão a que pertenciamos. A que pertencemos, porque a memória não se apaga e a história é irreversível.

Em relação a Angola, o Acordo de Alvor é um momento significativo, com pouca substância e menos esperança. Relativamente a Moçambique, o Acordo de Luzaka marca o início trágico da Independência. A Frelimo não era – como (quase) todos nós sabíamos – representativa da população moçambicana. E a história demonstrou-o, através de uma guerra civil que se prolongou por anos e provocou milhares de mortos e milhões de vítimas. Pessoas que perderam a vida ou se confrontaram com a vida absolutamente destroçada. No âmbito de um processo que (ainda) há quem entenda ter sido uma “Descolonização exemplar (*).

Do mesmo modo que a Leonor Figueiredo nos revela, corajosamente, os “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, é, será, importante que alguém se interesse pelos “Ficheiros Secretos da Descolonização..." de Moçambique. Para se repor a verdade.

Eu, que saudei o fim do regime presidido por Oliveira Salazar e depois por Marcelo Caetano, que sempre me manifestei favorável à independência de Moçambique e dos outros territórios ultramarinos, opus-me ao Acordo de Luzaka. Frontalmente – como está documentado – mas sem armas. Apenas com argumentos que expressei publicamente, por acreditar na Democracia. Mas tive de me afastar da Pátria que escolhera. Para não ter a mesma sorte que outros tiveram. Entre outros, lembro-me da Joana Simeão (até presencialmente, em Quelimane), uma mulher que defendia um projecto (talvez diferente do da Josina Machel, com quem que também estive em Quelimane, no pavilhão do Sporting, num encontro sobre Educação) e lutava por uma pátria livre. E que terá acabado por morrer algures no Niassa, num eufemístico “Campo de Reeducação”…

Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”, é um livro para ler. E analisar.

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(*) Sugiro a consulta e a leitura atenta dos muitos “posts” publicados por José Milhazes, jornalista, em “Da Rússia” sob o título de “Contributo para História (Moçambique)”. Enquanto não são (admito que não sejam) publicados em Portugal (entre outros) os livros "Memórias do Trabalho em Moçambique", de Piotr Evsiukov, primeiro embaixador da (então) URSS em Maputo e "Os Nossos Primeiros Passos em Moçambique", de Arkadi Glukhov, encarregado de negócios da (também então) URSS na capital moçambicana.

…………………………………
Ilustração: Imagem recolhida em “Da Rússia”.

2009-06-29

Pancho Guedes: fotógrafo, pela saúde da mãe moçambicana



O autor do arranjo gráfico e das fotografias de “Bebé Mamã” (um pequeno livro que reencontrei ao arrumar uma das estantes do meu escritório) é uma figura relevante no mundo arte, sobretudo no domínio da arquitectura – que alguém disse ser “arte com gente dentro”. Em Moçambique, primeiro, e depois por aí, A. d’Alpoim Guedes é o ”Pancho” Guedes, cuja obra é objecto de uma exposição no Museu Berardo, em Lisboa, aberta ao público até 09/98/16.

Na exposição – “Pancho Guedes, Vitruvius Mozambicanus” -, que eu ainda não vi, provavelmente não estarão disponíveis os originais das fotografias que ilustram o livro de Deolinda Martins. Também por essa razão, decidi seleccionar e reproduzir duas dessas fotografias.

Uma ilustra o capítulo “O Desmame”, no qual Deolinda Martins ensina que a mãe “Deve continuar a dar leite ao seu filho, mas, a partir do 7º mês, é preciso fazer-lhe comer mais alguma coisa, porque, se lhe der só leite, o seu filho não virá a ser um homem forte (…)”. A outra mostra-nos “O Banho” para que a mãe saiba que “Deve lavar o seu filho todos os dias. Aqueça a água mas não muito; aqueça de modo que possa pôr o seu braço na água sem se queimar (…)”.

A outra razão para a reprodução das fotografias é sobretudo pessoal: enquanto profissional de saúde, congratulo-me com o empenho de A. d’Alpoim Guedes - o filho de Pancho Guedes - numa acção de Educação e Promoção da Saúde numa pátria que partilhámos: Moçambique.

Educação para Saúde, em Moçambique – antes da Independência


Bebé Mamã” é o título de um pequeno livro (43 páginas) editado pelo Serviço Extra-Escolar da Província de MoçambiquePara a Melhoria Educativa e Social das Populações Moçambicanas”. Não tem data de edição mas trata-se de um “Trabalho executado nas oficinas gráficas da Empresa Moderna, Lda.”, sediada em Lourenço Marques. O texto é de Deolinda Martins e as fotografias e arranjo gráfico são de A. d’Alpoim Guedes.

No livro, a autora propõe-se “ensinar” a mulher e mãe moçambicana a “tomar conta” do bebé – desde a alimentação à vacinação – para que o filho possa “vir a ser uma pessoa saudável e feliz”. Escreve Deolinda Martins, no final da Introdução: - “Deus queira que ele (o livro) a ajude a ser uma mãe boa e sabedora, ensinando-lhe e explicando-lhe coisas e dando-lhe coragem para as fazer”.

Adoptando os conceitos actuais, o livro seria classificado como material de Educação para Saúde – no âmbito, talvez, da Saúde Materna. Apesar da linguagem “maternalista”, “Bebé Mamã”, ainda hoje seria útil se a rede de unidades de prestação de cuidados de saúde tivesse subsistido após a independência. Transcrevemos da página dedicada à vacinação:

Os bebés devem ser vacinados durante os primeiros seis meses.
Nas Delegacias de Saúde das Cidades e nos Dispensários, fazem-se todas vacinas durante certos dias do mês. Se mora numa cidade ou perto de uma cidade, informe-se na Delegacia ou no Posto Sanitário mais próximo dos dias em que as vacinas são feitas, para lá levar o bebé.
No mato, a vacina contra a varíola é feita em qualquer dia que lhe convenha.
Para as outras vacinas, informe-se no Posto Sanitário da data em que será feita a próxima campanha
”.

Passaram-se quarenta anos…

2009-05-31

Sónia Sultuane


Sónia Sultuane. Moçambicana, jovem, poeta.

Poeta, num país novo. De uma geração que atravessou a guerra civil e escreve sobre a vida. E os afectos. A sua vida, os seus afectos.

Africana. Num país multicultural, que se procura nas contradições.

dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque
(…)”

2008-12-17

Quelimane: o Bibliotecário


Foi durante muitos anos o Bibliotecário. Primeiro, numa sala sem grandes condições, num pequeno edifício de paredes amarelas muito perto da Câmara Municipal. Depois, talvez desde 1974, num edifício de arquitectura moderna.

Durante muitos anos, gerações de leitores conviveram com ele, o BibliotecárioGuilhermino Gonçalves de Sousa. O último Bibliotecário de Quelimane, enquanto cidade portuguesa. O primeiro, e durante pelo menos dois anos, Bibliotecário de Quelimane enquanto cidade moçambicana.

Faleceu hoje, 08/12/17, cerca de uma semana depois de ter celebrado o 85º aniversário (08/12/08). Em Almeirim, em Portugal, onde se radicou. Depois de muitos anos a promover os livros, que gerações de quelimanenses leram…

2008-10-14

Sebastião Alba


Há uns anos, pela manhã, em Braga, diz-se que depois de na estação se despedir de um amigo que partia de combóio, foi atropelado na autoestrada que atravessa a cidade como se fosse uma avenida. O corpo caído no asfalto terá obrigado à presença do Delegado de Saúde e do Delegado do Ministério Público, de polícias e de bombeiros e foi, depois, removido para a morgue. Onde somente dois ou três dias mais tarde foi identificado.

Era o Diniz.

O automobilista que o atropelou fugiu e não mais foi encontrado.

Passaram-se precisamente oito anos.

Enquanto beberrico uma aguardente velha, como no tempo em que bebíamos cerveja pelos bares da cidade do Rio dos Bons Sinais, folheio alguns dos apontamentos que me restam – “Os poetas moçambicanos são os mais antologiados do mundo”, disse-me – do projecto que ficou por aí, disperso, em caixas de cartão a que o pó e a humidade generosamente concederam o destino mais certo. Mas reencontrei a fotografia que publico e o poema que - na edição de “O Ritmo do Presságio”, para a colecção “O Som e o Sentido”, da Académica, Lda. (Lourenço Marques, 1974) - o Sebastião Alba dedicou ao Rui Knopfli (página 115, a última):

Como os outros

Como os outros discípulo da noite
frente ao seu quadro negro
que é exterior à música
dispo o reflexo. Sou um
e baço

dou-me as mãos na estreita
passagem dos dias
pelo café da cidade adoptiva
os passos discordando
mesmo entre si

As coisas são a sua morada
e há entre mim e mim um escuro limbo
mas é nessa disjunção o istmo da poesia
com suas grutas sinfónicas
no mar.

2008-09-15

Alberto Lacerda


Pelas 18.30 horas de sexta-feira (08/09/20), em Lisboa, no Auditório da FLAD, Fundação Luso-Americana, Alberto Lacerda será objecto de uma homenagem. Quando se passam 80 anos sobre a data do seu nascimento, na Ilha de Moçambique, o seu amigo Eugénio Lisboa e Luis Amorim de Sousa comentarão a obra do autor de “Exílio” – um poeta que faleceu no ano passado (07/08/26), em Londres.

O actor João Grosso lerá alguns dos seus poemas. Talvez, também, “Lourenço Marques revisited (11 de Fevereiro de 1963)”:

A água que murmura espectros lentos
O que houve e não houve e não volta nunca mais
Os quartos sem esperança que os guardasse
As casas sem anjo da guarda

A luz intensa bela e dolorosa
A adolescência dilacerada
A ternura dezoito anos recusada
Na casa dos Átridas
O crime horroroso que não houve
Mas as feridas abriram manaram um sangue
Que penetra implacável as fendas do sono
E me deixa acordado à beira da estrada
Com lágrimas que percorrem
Trinta e quatro anos
.

………………………………..
Ilustração: Retrato por Arpad Szenes (1971), recolhido em Da Literatura .

2006-06-21

A Escrita de Anton


Por Duarte d’Oliveira

Foi no Coco, snack-bar no rés-do-chão do Hotel Chuabo, em Quelimane, que o Diniz me apresentou o seu irmão António. Numa espécie de troca de galhardetes porquanto eu apresentei-lhe o meu irmão Luís, que chegara à capital da Zambézia para completar o serviço militar depois de mais de um ano na região de Tete.

O meu irmão, quando se anunciou o Acordo de Lusaka, por ser o oficial mais antigo, assumiria temporariamente o comando do destacamento (em Quelimane) em virtude do respectivo comandante (um oficial miliciano) se ter transferido para a FRELIMO.

O António, por razões particulares, afastara-se do “Notícias da Beira” e estava na cidade para se despedir da família antes de iniciar a viagem para Lisboa, onde ingressaria no Expresso e onde se propunha licenciar-se em História. A viagem incluiria uma escala em Roma, a cidade monumental. Mas, enquanto se dirigia para Lourenço Marques, de automóvel – “ (…) numa curva, a lua surpreendeu-o…”, disse-me o Diniz –, despistou-se e morreu. Estávamos a 20 de Janeiro de 1974.

Nossa humildade insolúvel / debate-se e o silêncio ainda é / uma solução pavorosa / Primeiro eles: um fio obscuro / doba-se interminavelmente / na tua matriz/ e a clara mudez do velho (em teu louvor) / faz por dentro um barulho dos demónios” – escreveu o Sebastião Alba (ao Anton) em “Uma pedra ao lado da evidência” (1).

Quase um ano depois (em 2 de Fevereiro de 1975) o Diniz ofereceu-me “O Ritmo do Presságio” (2) que abre com uma dedicatória. – “À memória do meu irmão António”.

Agora, a Quási, ao editar “A Escrita de Anton”, com organização e um estudo introdutório por Calane da Silva, permite-nos o reencontro com o jornalista e o escritor reservado, autor de contos (3) e lendas (4), António Carneiro Gonçalves. E a possibilidade de nos determos no seu olhar “sobre tudo o que na década de 1960 e na primeira parte de 1970 se publicava nos jornais da Beira e de Lourenço Marques” (5)

Mas eu não sei se o António Carneiro Gonçalves aprovaria “A Escrita de Anton”. Mas é só uma dúvida, pessoal…

…………………….

(1) “Antologia Poética”, com selecção, apresentação e notas de Vergílio Alberto Vieira, “Campo das Letras – Editores, SA", Porto, Novembro de 2000.

(2) Colecção “O som e o sentido”, Académica, Lda., Lourenço Marques, Outubro de 1974.

(3) “Contos Recolhidos”, volume Nº. 5 da Colecção “O som e o sentido”, Académica, Lda.

(Obs.: Não tenho este volume, que terá sido editado depois de eu sair de Moçambique, em Março ou Abril de 1975.)

(4) “Contos e Lendas”, Colecção “Autores Moçambicanos”, Edições 70, Lda., Maio de 1981, Lisboa.

(5) J. H. (Jorge Heitor), suplemento “Mil Folhas”, do Público, edição de 06/06/03.

2006-05-12

Moçambiquizando


Pelo Mil Folhas (edição de 06/06/06), suplemento do Público, soube da publicação de Moçambiquizando, um livro de poemas de Delmar Maia Gonçalves.

O livro terá sido apresentado ontem (06/05/11, pelas 18.30 horas) na FNAC do Chiado, em Lisboa, por Guilherme de Melo e Jorge Viegas.

Não conheço o autor e o livro ainda não apareceu nos expositores da Bertrand, em Santarém – que, por razões de proximidade, é a livraria que mais frequento. Mas sei quem são o Guilherme de Melo e o Jorge Viegas.

Para a generalidade dos militares que prestaram serviço em Moçambique, Guilherme de Melo é (será) sobretudo o responsável pelo suplemento “Coluna em Marcha”, do Notícias, de Lourenço Marques. Jorge Viegas, nascido e crescido na Zambézia, autor de “O Núcleo Tenaz”, será um desconhecido.

Se o autor (e o Mia Couto) me perdoar a ousadia, é assim que se moçambiquisa: moçambiquizando…