2006-07-25

Sequência de um acidente, num dia bem passado...


Retomamos Óbidos para publicarmos mais algumas fotografias do Encontro que nos mobilizou para “Um dia bem passado…”, como escreveu o Barata da Rocha.

Admitimos, porém, que para a jovem protagonista desta série não foi só um dia bem passado… Um ligeiro acidente e a pronta intervenção do médico (Gunderson Marques) e do enfermeiro (Pata da Silva).

Atente-se que na ausência de outros recursos não se esqueceram dos métodos menos ortodoxos que na gíria militar se definiam por desenrascar…
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Fotografias por Barata da Rocha

2006-07-20

Uma maravilha da tecnologia


É uma maravilha da tecnologia.

Mas é, também, um pesadelo. Alguém nos espreita, permanentemente…

Fiquemo-nos pela maravilha. E passeemos por Quelimane, com a colaboração do Google Earth. Na imagem, o Cinema Águia, sem cobertura, abandonado…

2006-07-03

Alguns momentos de um dia bem passado!


De uma colecção que o Luiz Barata da Rocha reuniu no álbum “Alguns momentos de um dia bem passado” em Óbidos, publico (sem comentários à guisa de legenda) a primeira fotografia.

2006-06-21

Cinema Águia, em 2005.


Sobre o Cinema Águia, no post Quelimane – Cinema Águia” que publiquei em 06/05/18, escrevi que “Hoje, do Cinema Águia só restam as paredes exteriores”.

Hoje, proponho o visionamento do vídeo de Carlos Araújo que nos mostra aquela sala de espectáculos em 2005.

Ao amigo (desde Mocuba) Omar Rashid, eu só posso dizer que admito algumas razões para a ruína…

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Ilustração: Imagem recolhida em http://groups.msn.com/Quelimane/zambeziamarco95.msnw .

A Escrita de Anton


Por Duarte d’Oliveira

Foi no Coco, snack-bar no rés-do-chão do Hotel Chuabo, em Quelimane, que o Diniz me apresentou o seu irmão António. Numa espécie de troca de galhardetes porquanto eu apresentei-lhe o meu irmão Luís, que chegara à capital da Zambézia para completar o serviço militar depois de mais de um ano na região de Tete.

O meu irmão, quando se anunciou o Acordo de Lusaka, por ser o oficial mais antigo, assumiria temporariamente o comando do destacamento (em Quelimane) em virtude do respectivo comandante (um oficial miliciano) se ter transferido para a FRELIMO.

O António, por razões particulares, afastara-se do “Notícias da Beira” e estava na cidade para se despedir da família antes de iniciar a viagem para Lisboa, onde ingressaria no Expresso e onde se propunha licenciar-se em História. A viagem incluiria uma escala em Roma, a cidade monumental. Mas, enquanto se dirigia para Lourenço Marques, de automóvel – “ (…) numa curva, a lua surpreendeu-o…”, disse-me o Diniz –, despistou-se e morreu. Estávamos a 20 de Janeiro de 1974.

Nossa humildade insolúvel / debate-se e o silêncio ainda é / uma solução pavorosa / Primeiro eles: um fio obscuro / doba-se interminavelmente / na tua matriz/ e a clara mudez do velho (em teu louvor) / faz por dentro um barulho dos demónios” – escreveu o Sebastião Alba (ao Anton) em “Uma pedra ao lado da evidência” (1).

Quase um ano depois (em 2 de Fevereiro de 1975) o Diniz ofereceu-me “O Ritmo do Presságio” (2) que abre com uma dedicatória. – “À memória do meu irmão António”.

Agora, a Quási, ao editar “A Escrita de Anton”, com organização e um estudo introdutório por Calane da Silva, permite-nos o reencontro com o jornalista e o escritor reservado, autor de contos (3) e lendas (4), António Carneiro Gonçalves. E a possibilidade de nos determos no seu olhar “sobre tudo o que na década de 1960 e na primeira parte de 1970 se publicava nos jornais da Beira e de Lourenço Marques” (5)

Mas eu não sei se o António Carneiro Gonçalves aprovaria “A Escrita de Anton”. Mas é só uma dúvida, pessoal…

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(1) “Antologia Poética”, com selecção, apresentação e notas de Vergílio Alberto Vieira, “Campo das Letras – Editores, SA", Porto, Novembro de 2000.

(2) Colecção “O som e o sentido”, Académica, Lda., Lourenço Marques, Outubro de 1974.

(3) “Contos Recolhidos”, volume Nº. 5 da Colecção “O som e o sentido”, Académica, Lda.

(Obs.: Não tenho este volume, que terá sido editado depois de eu sair de Moçambique, em Março ou Abril de 1975.)

(4) “Contos e Lendas”, Colecção “Autores Moçambicanos”, Edições 70, Lda., Maio de 1981, Lisboa.

(5) J. H. (Jorge Heitor), suplemento “Mil Folhas”, do Público, edição de 06/06/03.

2006-06-12

Mais disparos, em Óbidos….


As distracções são fatais. Desta vez, fui eu – visivelmente sem camuflado – o alvo do disparo…

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Fotografia (ou disparo?) por José cavalheiro.

2006-06-08

Disparos...


Disparou-se muito, em Óbidos. Até com telemóveis…

Nota: Que eu saiba, nenhum de nós disparou um tiro durante os 26 meses de serviço militar em Moçambique.

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Fotografia por José Cavalheiro

Cabelos brancos


Em Óbidos, evidenciaram-se os cabelos brancos….

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Fotografia por José Cavalheiro

Conversa-se…


Em Óbidos, conversa-se…
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Fotografia por José Cavalheiro

2006-06-07


Foto de família. Pouco depois do início da peregrinação pelas ruas de Óbidos…
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Fotografia por José Cavalheiro.

2006-06-06

Em procissão



Óbidos, 06/05/27. Em procissão, a caminho do adro…

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Fotografia por José Cavalheiro.

2006-06-01

Óbidos, 27 de Maio de 2006


Uma primeira fotografia do Encontro, na qual não figura o Cavalheiro. Porque está detrás da câmara...

Quelimane em 1929 - Álbum


Uma sugestão, com o sabor nostálgico de uma memória que não temos: folhear o Álbum de Quelimane em 1929.

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Ilustração: Fotografia recolhida em
http://groups.msn.com/Quelimane/quelimanefotossecxx.msnw?Page=3

2006-05-31

José Carrapatoso


Por Duarte d’Oliveira

Eu conheci o Carrapatoso em Mocuba. Um amigo, com quem partilhei noites de boémia – de alta boémia – que se prolongam na memória.

O Carrapatoso era um excelente diseur. No bar do Clube Ferroviário, já com a porta fechada, pela noite dentro cantávamos baladas e fados de Coimbra. E outras cantigas, ditas de intervenção. Acompanhados à viola, por um colega (minhoto) cujo nome não lembro, ou sem viola. Mas com cerveja. Muita cerveja: Laurentina, 2 M, Manica

Dessas noites lembro, também, o senhor, já idoso, que geria o bar. Cantava connosco. Com frequência, a solo. De forma sentida e comovente. Muitas vezes lhe vi lágrimas a descerem-lhe pelas faces. Tisnadas, sob os cabelos grisalhos. Era um homem bom. Um poeta. Ou tão-somente um eterno estudante. De capa e batina que nunca vestiu. De uma cidade onde nunca terá estado.

Um poeta. Como o José Carrapatoso. Que não escrevia – como o Mário Viegas, cuja discografia está agora a ser reeditada e distribuída pelo Público – mas dizia. De memória e verbo à solta.

Uma noite, em casa de ----, uma casa de caniço, num dos subúrbios da cidade, perto da margem direita do Rio Licungo e da Ponte Cardeal Cerejeira, o Carrapatoso disse de António Gedeão o poema “Lágrima de preta”.

Disse-o tão eloquentemente que foi afastado de Mocuba e enviado para a região de Tete.


Com a discrição que as circunstâncias exigiam, mencionei o caso num conto que escrevi – e que foi publicado na página “Jovem”, do Notícias da Beira. Ao lado de dois poemas, um do Sebastião Alba e outro da Natália Correia. – Pouco tempo depois, no Comando de Agrupamento foi emitida uma “Ordem de Serviço” que determinou umas quantas interdições, entre as quais (cito de memória) a de escrever para os jornais sem prévia autorização. Devo confessar que terei forçado um pouco a nota porquanto sugeri que o conto faria parte de uma antologia já com nome: - “Dois anos embrulhados numa farda”.


Numa conversa, provavelmente na esplanada da Estalagem, sob a ramagem amena da acácia, eu disse-lhe que na adolescência conhecera uns Távoras. Numa escola (familiar) que frequentava no Restelo, em Lisboa, num prédio contíguo à moradia da viúva do tripulante (João José Nascimento Costa) do Sta. Maria que ofereceu resistência ao assalto liderado por Henrique Galvão…. . Depois de umas quantas explicações bem divertidas sobre a dispersão da família, dois séculos antes perseguida e executada pelo Sr. Marquês de Pombal, e os critérios que regularam a distribuição dos títulos de nobreza pelos sobreviventes, decidiu assumir o grau de nobreza e disse-me, brindando com outro copo de cerveja: - “Eu sou José Carrapatoso, Marquês de Távora falido e Conde de Poirez mais falido ainda”.

O José Carrapatoso, José Carrapatoso de Távora e Poirez, não integrava o Comando de Agrupamento 2972. Todavia é – para mim (e decerto que para outros colegas) – uma figura relevante do nosso tempo de guerra.

Quem sabe dele?
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Ilustração: "Nú com flores", 1960, de Malangatana, quadro Recolhido em http://www.africa.upenn.edu/Smithsonian_GIFS/Malangatana.html

2006-05-29

Mapa de Moçambique

Um mapa que permite o acesso a múltipla informação sobre Moçambique: coordenadas geográficas, distâncias, meteorologia, conversão monetária… E fotografias, websites, notícias…

Clique aqui, no Mapa de Moçambique.

2006-05-18

Mocuba – A Avenida


Descendo a Avenida, em Março de 1995. Ao fundo, o Rio Licungo.

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Ilustração: Fotografia recolhida em http://groups.msn.com/Quelimane/zambeziamarco95.msnw?Page=2

Mocuba – A Rotunda


Decerto que todos se lembram. Pelo lado esquerdo, acedia-se ao aquartelamento.
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Ilustração: Fotografia recolhida em
http://groups.msn.com/Quelimane/

Quelimane - Cinema Águia


Nesta sala, assistimos a bons e maus filmes. Muitos deles indianos, provavelmente produzidos em Bollywood. Alguns – os filmes importados da África do Sul – projectados com “Legendas de caixote”.

Em 1974, no começo de Maio, no átrio de entrada, antes de iniciarmos a primeira sessão em que nos exprimimos livremente, um amigo pessoal acercou-se de mim e questionou-me, surpreendido: - “Tu também estás aqui?!...”.

(Cerca de uma dezena de anos mais tarde, numa sala de congressos de Tróia, aqui em Portugal, onde apresentei uma comunicação no âmbito da actividade profissional que exerço, reencontrei-o. Integrado no corpo de segurança privada…).

Hoje, do Cinema Águia só restam as paredes exteriores.
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Ilustração: Fotografia recolhida em http://groups.msn.com/Quelimane/zambeziamarco95.msnw

2006-05-17

A Picada


Se se tratar de um troço da picada que estabelece a ligação entre Nova FreixoCuamba, desde a Independência – e Marrupa, todos nós passámos por aqui. Pelo menos por duas vezes.

Da primeira vez, na ida para o norte, as Berliet estavam protegidas com sacos de areia. Por causa das minas. Havia quem não escondesse o temor. Eu, depois de uma noite quase em claro – no quartel, as instalações que nos foram destinadas para pernoitar não terão sido desinfestadas e por essa razão poucos de nós lá ficaram… –, dormi. Profundamente, decerto. Entre Nova Freixo e Maúa, onde fizemos escala. Para bebermos uma cerveja - SKOL, uma marca que não se vendia em Portugal…

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Ilustração: Fotografia – com a legenda: Picada, a caminho de Cuamba (Nova Freixo)recolhida em
http://community.webshots.com/album/549603754EhEuef/0 .

Marrupa - Base Aérea


O “Calhambeque”, na Base Aérea, era um bom pretexto para à noite nos afastarmos de Marrupa. E de jipe, mais do que cheio, percorrermos a picada e atravessarmos a pista. No regresso, o jipe não tinha asas mas parecia querer levantar voo…

Constava que havia por ali umas bombas de “napalm”. Não as vi. E se não as vi, não sei se havia. Mas constava…

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Ilustração: Fotografia – com a legenda: Marrupa, aeródromo, baserecolhida em
http://community.webshots.com/album/549603754EhEuef/0 .