2009-06-05

O mundo é um lugar pequenino...


À mesa, o lugar (aparentemente) vago pertence-me. Levantara-me para tirar a fotografia. Em primeiro plano, a irmã (como o mundo é pequenino…) de uma colega (de Vila Nova de Tázem) do tempo em que eu frequentei o Colégio Nuno Álvares, em Gouveia, e com quem durante muitos meses (talvez dois anos lectivos) viajei quase diariamente na carrinha do colégio. Por vezes, pelo final do dia, conduzida pelo Dr. Sampaio - uma figura irreverente que (também) não esqueço…

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira

De dedo em riste...


… Quase de certeza que o colega de pulover vermelho – uma figura (mais ou menos) pública com lugar cativo na Assembleia da República - foi sensível à convicção do colega que veio do Minho para expor tão convictamente, de dedo em riste, os seus argumentos…

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira

Vinho do Porto com (quase) quarenta anos


Velhote – pois não, passaram-se quase 40 anos -, o Apolinário olha com atenção para a garrafa de Vinho do Porto especial, personalizada e com referência à sua inclusão no Comando de Agrupamento 2972, unidade militar que nos juntou em Moçambique entre 1970 e 1972.

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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira

2009-06-02

Glória de Sant’Anna


Há pouco, pelo noticiário das 17.00 horas transmitido pela Antena 2, soube que a Glória de Sant’Anna falecera. Hoje, na casa em que se exilara depois de abandonar Moçambique e a sua cidade de Pemba (então Porto Amélia). Para a generalidade dos cidadãos portugueses será só um nome, indiferenciado como tantos outros. Para alguns, mais curiosos, foi (ou será lembrada como) a mãe de Rui Paes, seleccionado pela Madona para ilustrar um dos seus livros infantis. Porém, para quem lê e ama a poesia, sobretudo para quem lê e ama a poesia de Moçambique, Glória de Sant’Anna é (e será) um nome eterno.

Ns ruas do velho Chuabo, eu e o Diniz (Sebastião Alba) liamos os seus versos, diziamos alguns dos seus poemas. Num dos Encontros promovidos pelo Centro Juvenil da cidade, eu dediquei o espaço de poesia à Glória de Sant’Anna. E a Tó Brandão (do RCM, Rádio Clube de Moçambique), cumplíce, disse – como já escrevi noutro local – um dos seus poemas mais íntimos: Maternidade.

Nesta nota, brevíssima, escrita na penumbra da mágoa pela perda de uma voz amiga, insisto em lembrar(-me) que “Eu um dia serei uma poalha de vento”…

"Epitáfio

Eu um dia serei uma poalha de vento
pousando inadvertidamente em tua face

e me sacudirás

Eu um dia serei uma réstea de chuva
caída por acaso em tua fronte

e me sacudirás

E eu um dia serei a última lembrança
imponderável já na tua mente

e então me esquecerás"

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Ilustração: Imagem recolhida em
Porto Amélia - Pemba - Poesia

2009-05-31

Sónia Sultuane


Sónia Sultuane. Moçambicana, jovem, poeta.

Poeta, num país novo. De uma geração que atravessou a guerra civil e escreve sobre a vida. E os afectos. A sua vida, os seus afectos.

Africana. Num país multicultural, que se procura nas contradições.

dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque
(…)”

2009-05-29

Foi a Pastelaria “Riviera”…


Eu já sabia desta mudança. Em Quelimane, a “velha” Pastelaria Riviera deu lugar ao “Restaurante do Seu Sonho”, um restaurante chinês.

Mudam-se os tempos…

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Ilustração: Fotografia recolhida em Quelimane

2009-05-25

No monumento a Nossa Senhora


Em Marrupa, em 2004

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Ilustração: Fotografia por Samuel Peixoto.

2009-05-23

Um dia de convívio


Regressei a casa há cerca de vinte minutos. Depois de corresponder às chamadas telefónicas que me fizeram durante a minha ausência, servi-me de um whisky (espero que a minha Médica não leia este “post”), a que adicionei um pouco de água, (excepcionalmente) coloquei três cds com música dos Anos 60 na gaveta do leitor e sentei-me ao computador.

Durante o dia estive com os colegas com quem prestei serviço militar em Moçambique. Apesar de não estar bem de saúde, atrevi-me a sair de casa e perto do meio dia estava na Quinta dos Loridos onde, a pouco e pouco, todos nos reencontrámos. Cerca de 40 anos mais velhos, desde que em Moçambique, entre o Niassa e a Zambézia, partilhámos a desventura de participarmos numa guerra que não queriamos.

Dalí, numa longa fila de automóveis – provavelmente para não nos esquecermos da “Coluna em Marcha” -, seguimos para a Quinta do Castro, em Pragança, onde decorreu o almoço.

Para mim, o almoço foi só um pretexto para convivermos. E as conversas, nas diferentes mesas, foram animadas. Até que uma jovem decidiu – conforme o programa previa - assegurar a animação. A jovem talvez até cante bem, mas o som (e serei benevolente nesta apreciação) estava péssimo. O que chegava às mesas era apenas ruído. Eu ainda pedi para que calassem a jovem (a menos culpada, decerto), mas em vão. Resultado: aturdidos pelo ruído (a Musak precisa de ser objecto de regulamentação), e sem a menor hipótese de continuarmos a conversar, começámos a abandonar o local.

Despedi-me de alguns colegas e familiares e regressei a casa. Já reparei que nem a minha máquina fotográfica funcionou – por inépcia minha, admito-o. Poucas fotografias estão em condições de ser publicadas. Talvez para o ano, seja melhor. Neste momemto, chove e eu oiço “Apache”, dos Shadows….
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Ilustração: Fotografia por Duarte d’Oliveira (09/05/23).

2009-04-01

Quase 40 anos depois…


Mais uma vez organizado pelo Rui Nunes, que se especializou nesta matéria (palavra que estive para escrever “neste tipo de eventos”), brevemente realizar-se-á mais um encontro em que todos nós teremos oportunidade de confirmar que estamos mais velhos mas conservamos a memória jovem para evocarmos tempos idos – quando pacientemente esperávamos pela manhã em que nos libertariamos da farda para voltarmos a ser pessoas livres.

Já se passaram quase quarenta anos.

Brevemente divulgarei o Programa elaborado pelo Rui Nunes. Entretanto, posso adiantar que para antes de almoço está prevista uma visita guiada ao Buddha Eden - ou Jardim da Paz - na Quinta dos Loridos, no Carvalhal, Bombarral, cuja inauguração está prevista para Junho (*) … O Rui Nunes lá saberá por quê!...

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(*) InO intrigante mundo de Joe Berardo”, por Luis Maio, no suplemento “Fugas” do Público (edição de 09/03/28).

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Ilustração:Exército de Terracota”, fotografia recolhida em Buddha EdenJardim da Paz.

2009-02-22

A Guerra Colonial, 1961 – 1974


Vasco Lourenço, na mensagem inicial expressa um objectivo: conhecermos melhor a Guerra Colonial, “um dos acontecimentos mais importantes da nossa história contemporânea”.

Para tanto, com a colaboração de diferentes pessoas e entidades, a Associação de 25 de Abril construiu um sítio onde se propõe “tratar todos os aspectos da Guerra Colonial”.

Independentemente da opinião política de cada um de nós sobre aquele período controverso, no qual tivemos uma participação activa – o serviço militar era obrigatório -, reconhecemos que o sítio deve merecer a atenção de todos.

De todos os Cidadãos de Portugal e dos países que foram Províncias Ultramarinas. Por essa razão, nós divulgamos o sítio da Guerra Colonial, 1961 – 1974.

2009-01-18

Teresa Coelho


Cruzámo-nos, decerto, em alguma das ruas ou avenidas da cidade do Rio dos Bons Sinais (Quelimane), em Moçambique. Depois, aqui em Portugal, eu acompanhei a sua trajectória nos jornais que continuo a ler. E o seu trabalho, enquanto escritora e editora. Há pouco, por um noticiário televisivo, eu soube que faleceu. Assim, de súbito. E o silêncio sobreveio.

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Ilustração: Fotografia de Luis Vasconcelos recolhida em Ciberescritas.

2008-12-24

Tempo de Natal…


Neste Natal, retomamos a tradição para partilhamos com os colegas e amigos que integraram o Comando de Agrupamento 2972 e com as pessoas que nos visitam um desejo que nos anima: Feliz Natal!

Feliz Natal!

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Ilustração: Fotografia recolhida em Poesias Leigas.

2008-12-17

Quelimane: o Bibliotecário


Foi durante muitos anos o Bibliotecário. Primeiro, numa sala sem grandes condições, num pequeno edifício de paredes amarelas muito perto da Câmara Municipal. Depois, talvez desde 1974, num edifício de arquitectura moderna.

Durante muitos anos, gerações de leitores conviveram com ele, o BibliotecárioGuilhermino Gonçalves de Sousa. O último Bibliotecário de Quelimane, enquanto cidade portuguesa. O primeiro, e durante pelo menos dois anos, Bibliotecário de Quelimane enquanto cidade moçambicana.

Faleceu hoje, 08/12/17, cerca de uma semana depois de ter celebrado o 85º aniversário (08/12/08). Em Almeirim, em Portugal, onde se radicou. Depois de muitos anos a promover os livros, que gerações de quelimanenses leram…

2008-11-23

O "Ma-schamba" acabou



JPT decidiu acabar com “a” Ma-schamba (Machamba, quinta), o blogue pelo qual íamos sabendo notícias de Moçambique sob o olhar atento, crítico e por vezes corrosivo de um antrópologo, professor universitário, em Maputo.O pretexto mais próximo terá sido o comentário (que cito de memória) de uma das convivas num jantar, em sua casa, depois (creio que no dia seguinte) de um colóquio sobre “crianças abandonadas”: - “Acho graça ao teu auto-marketing!”.

JPT não gostou. E decidiu acabar com o blogue.

É uma opção.

Eu, que nunca fiz essa leitura - a do "auto-marketing" -, confesso que decerto todos nós (os seus leitores) é que ficámos a perder.
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Ilustração: Imagem recolhida em TubarãoEsquilo

2008-10-20

Mocuba Online


Desde do início de Agosto, Mocuba dispõe de um Portal. Criado com o apoio do governo da Finlândia e do governo de Moçambique, através do PRODEZA, Projecto de Apoio ao Desenvolvimento Rural da Zambézia, o Portal Mocuba Online tem como objectivo “facilitar o acesso às informações sobre o distrito (…) e promover actividades de desenvolvimento (…)”.

Saudamos o acontecimento e registamos o endereço na Navbar (a coluna do lado direito) para acompanharmos a evolução da cidade onde vivemos durante mais de um ano.
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Ilustração: Fotografia – Rua Principal - recolhida em Mocuba Online.

2008-10-14

Sebastião Alba


Há uns anos, pela manhã, em Braga, diz-se que depois de na estação se despedir de um amigo que partia de combóio, foi atropelado na autoestrada que atravessa a cidade como se fosse uma avenida. O corpo caído no asfalto terá obrigado à presença do Delegado de Saúde e do Delegado do Ministério Público, de polícias e de bombeiros e foi, depois, removido para a morgue. Onde somente dois ou três dias mais tarde foi identificado.

Era o Diniz.

O automobilista que o atropelou fugiu e não mais foi encontrado.

Passaram-se precisamente oito anos.

Enquanto beberrico uma aguardente velha, como no tempo em que bebíamos cerveja pelos bares da cidade do Rio dos Bons Sinais, folheio alguns dos apontamentos que me restam – “Os poetas moçambicanos são os mais antologiados do mundo”, disse-me – do projecto que ficou por aí, disperso, em caixas de cartão a que o pó e a humidade generosamente concederam o destino mais certo. Mas reencontrei a fotografia que publico e o poema que - na edição de “O Ritmo do Presságio”, para a colecção “O Som e o Sentido”, da Académica, Lda. (Lourenço Marques, 1974) - o Sebastião Alba dedicou ao Rui Knopfli (página 115, a última):

Como os outros

Como os outros discípulo da noite
frente ao seu quadro negro
que é exterior à música
dispo o reflexo. Sou um
e baço

dou-me as mãos na estreita
passagem dos dias
pelo café da cidade adoptiva
os passos discordando
mesmo entre si

As coisas são a sua morada
e há entre mim e mim um escuro limbo
mas é nessa disjunção o istmo da poesia
com suas grutas sinfónicas
no mar.

2008-09-25

Correio


A sede dos Correios e Telégrafos, em Quelimane.

Uma das funcionárias, a Felisbela, era casada com o Diniz – também Sebastião Alba.

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Ilustração: Fotografia (sem data) recolhida em Madalas de Moçambique

Um jardim


Todos nós, durante a deslocação de Marrupa para Mocuba, estivemos no Gurué – então Vila Junqueiro.

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Ilustração: Fotografia recolhida em Madalas de Moçambique.

Um padrão


Um padrão, na cidade do Rio dos Bons Sinais, num raro cartaz que recolhemos no “Memorial de Quelimane”.

2008-09-22

O Luís Oliveira e o Marinho, em Moatize



Cerca de duas semanas depois de ter publicado um post sobre a presença do meu irmão Luis em Quelimane, o Marinho, um dos seus amigos – “camarada de armas na CCAÇ. TETE, em Moatize e Quelimane, até Dezembro de 74” –, contactou-me por correio electrónico para saber notícias e juntou duas fotografias que marcam a presença de ambos em Moatize.

Como consta da nota de “Apresentação”, Nós, do Comando “é (pretende ser) um espaço para nos encontrarmos” e “para evocarmos as pessoas e os sítios”.

Como sucede agora, com a intervenção do Marinho...